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tudo que você queria saber

sobre um “baba” indiano, mas não tinha coragem de perguntar.

Os babas, sadhus ou homem santos são aqueles tipos esquisitos que muitas vezes aparecem como a imagem estereótipo da índia. Eles têm a barba comprida, o cabelo também, podem estar cobertos de cinzas, alguns passam anos com um dos braços levantado, outros andam com facas e espetos enfiados na pele ou se sentam sobre camas de pregos.

Esses seres misteriosos se reuniram esse ano para um grande festival religioso hindu, o Kumbh Mela, que acontece às margens do rio Ganges na cidade de Haridwar. O encontro acontece a cada doze anos e parece que tem a ver o néctar sagrado que caiu de um pote em lugares diferentes da terra, quando era disputado por deuses e demônios. Mas confesso não saber muito mais sobre a história…

Um dos nossos  mais recentes visitantes, porém, o Philippe, veio para a Índia com o projeto de perguntar coisas aos babas no Kumbh Mela e ver o que os caras têm a dizer. Qualquer pessoa pode enviar sua questão, desde a mais existencial até as coisas concretas, como o aquecimento global ou a relação dos babas com o mundo da internet. Os vídeos e espaço para perguntas aos homens santos estão no site “o baba responde“.

Este vídeo é uma das respostas de um guru que o Philippe entrevistou:

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Arquivado em detalhes, viajantes

minha mulher viajou e fui curar a solidão no templo

Como muitos já sabem, já viram ou ouviram, a Julia foi passar uns dias na Alemanha para se aprofundar na pesquisa do mestrado dela e depois rumou para o seio da família em Sampa.

Eu, como não pude fazer parte desta deliciosa viagem, fiquei aqui na Índia acompanhando as previsões do tempo: MIN 39, MAX 45 , e cumprindo o dever, que foi afinal o motivo inicial desta aventura indiana.

Durante a semana aproveito a solidão e fico no escritório ate o olho fechar, então quando chego em casa não há sequer um momento para sentir a solidão. Como no final de semana não posso me ocupar trabalhando 14hs por dia, resolvi que teria que viajar logo no primeiro.

Os nossos amigos da colônia brasileira em Gurgaon Ricardinho e Manu estavam planejando visitar Amritsar, acompanhando um amigo que se encontrava de passagem pela Índia.

Amritsar fica no estado do Punjab, norte da Índia, uma região com uma forte e rica agricultura e um dos grandes produtores de trigo do país. A cidade, localizada no centro geográfico do estado do Punjab, já foi muito importante, mas devido a partilha após a independência, em 1947, acabou ficando na fronteira com o atual Paquistão. Mas a principal atração de Amritsar não é nem a fronteira nem a produção de trigo, mas sim o Golden Temple.

O Golden Temple é a Meca dos Sikhs, uma religião dissidente do hinduísmo e muito conhecida pelo trabalho de caridade que realiza em todos os seus templos ao redor da Índia e do mundo. Mas, como estou ainda na minha fase inicial de estudos religiosos indianos, nao vou me arriscar a explicar aqui mais sobre a história dessa religião e seus princípios. Quem sabe num futuro próximo, quando minha jornalista historiadora voltar, faremos uma descrição mais aprofundada da religião sikh!

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O que gostaria de compartilhar com todos foi a minha visita ao templo, realmente uma experiência inesquecível e com certeza digna de vários retornos. Sendo o principal centro da religião, ele atrai diariamente milhares de visitantes.

Ao chegar no templo é preciso retirar os sapatos e deixá-los num guarda-volumes, comprar um pano para cobrir a cabeça e, antes de entrar no sagrado local, atravessar um lava-pés comunitário. Ao passar por esta etapa você percebe a força e importância do lugar, uma vez que muitos dos fiéis se agacham e levam algumas gotas daquela água à boca, como uma espécie de benção.

Chocado com esta chegada, ergui a cabeça e vi com os olhos doidos de tanta luz o sagrado templo dourado, rodeado por um lago e situado no centro do enorme complexo religioso.

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Ao redor do lago haviam milhares de pessoas, roupas coloridas, turbantes. Alguns homens se banhavam, outros rezavam sentados no chão. Rumamos então para a passarela que dá acesso ao tempo dourado, o número de fiéis é incrível. Demoramos 1h15min nesta fila para atingir o centro sagrado, de onde descobrimos a origem da música que se espalhava por todo o complexo religioso. Era como uma pequena banda, todos sentados no chão, e o vocalista lia o livro sagrado dos Sikhs numa voz melancólica e ininterrupta. Ao lado dos músicos um homem distribuía pequenas bolachas feitas de açúcar e água.

Ao sairmos do interior do templo fomos visitar a cozinha comunitária, que serve gratuitamente mais de 12 mil refeições. Como podem imaginar, o meu maior interesse não era comer naquele local sagrado, mas sim entender o seu funcionamento e ver todos trabalhando para gerar aquele volume enorme de comida. Logo na entrada vemos sentadas no chão quase cem pessoas, descascando e picando os legumes: cebolas, abóboras, alho, batatas. Um pouco mais para dentro, estava a produção de chapatis (primo indiano da tortilla, feito de trigo), eram três fileiras com vinte pessoas em cada e uma grande chapa produzindo dezenas de pães por minuto. No mesmo local, estava sendo preparado o dahl (tipo um caldo de lentilha, base da comida Indiana) num enorme caldeirão de cobre sobre labaredas de fogo geradas pela queima de grandes toras de madeira, uma cena quase medieval.

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Como forma do trabalho de caridade, o templo abre suas portas para todos os fies que ali quiserem dormir. Uma amiga nossa brasileira, a Mari, dormiu ali e sua experiência me motivou a fazer o mesmo. O que realmente recomendo a todos, pois o templo durante a noite é um lugar muito interessante. O vocalista da banda encerra a cantoria à meia noite, mas as pessoas não param de rezar de forma independente durante toda a madrugada. Fomos dar uma volta às 2:30 da manhã e vimos toda aquela passarela de mármore ao redor do lago forrada de gente, um silencio absoluto e nos cantos alguns grupos cercavam seus sacerdotes e cantavam e rezavam quase como um murmúrio.

Antes do primeiro raio de sol, a musica central se inicia e todos se levantam para realizar a reza matinal. São 5hs da manha e o templo esta cheio de vida. Dormi basicamente 3hs e fiquei durante a noite pensando na força da religião e na forma como acolhem as pessoas.

Saí do templo e peguei um voo de 1h até Delhi.

Quando a Julia voltar quero levá-la para lá. Recomendei a todos os meus parentes e amigos que vierem para a Índia que reservem pelo menos duas noites para experimentar este lugar.

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