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tudo que você queria saber

sobre um “baba” indiano, mas não tinha coragem de perguntar.

Os babas, sadhus ou homem santos são aqueles tipos esquisitos que muitas vezes aparecem como a imagem estereótipo da índia. Eles têm a barba comprida, o cabelo também, podem estar cobertos de cinzas, alguns passam anos com um dos braços levantado, outros andam com facas e espetos enfiados na pele ou se sentam sobre camas de pregos.

Esses seres misteriosos se reuniram esse ano para um grande festival religioso hindu, o Kumbh Mela, que acontece às margens do rio Ganges na cidade de Haridwar. O encontro acontece a cada doze anos e parece que tem a ver o néctar sagrado que caiu de um pote em lugares diferentes da terra, quando era disputado por deuses e demônios. Mas confesso não saber muito mais sobre a história…

Um dos nossos  mais recentes visitantes, porém, o Philippe, veio para a Índia com o projeto de perguntar coisas aos babas no Kumbh Mela e ver o que os caras têm a dizer. Qualquer pessoa pode enviar sua questão, desde a mais existencial até as coisas concretas, como o aquecimento global ou a relação dos babas com o mundo da internet. Os vídeos e espaço para perguntas aos homens santos estão no site “o baba responde“.

Este vídeo é uma das respostas de um guru que o Philippe entrevistou:

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Arquivado em detalhes, viajantes

rapidamente

Há um ano eu chegava na Índia pela primeira vez, numa noite fria e nebulosa, como os dias tão nebulosos que têm acontecido por aqui. Gurgaon, este estranho lugar, era ainda mais estranho. Aos poucos, contudo, o apartamento LTH115A tornou-se a nossa casa. Nem sempre foi tranquilo viver aqui, mas aprendemos um bocado e seguimos tentando. É isso, só para marcar a data.

Agora, volto ao trabalho.

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gandhiji

não falar o mal, não ver o mal, não ouvir o mal

não falar o mal, não ver o mal, não ouvir o mal

tentando entender a Índia com os ensinamentos do pai da nação

tentando entender a Índia pelos ensinamentos do pai da nação

Entre uma reunião e outra, na cidade de Ahmedabad (Gujarat), um hospitaleiro cliente me levou para conhecer o Gandhi Ashram – lugar em que o líder indiano viveu muito tempo e de onde partiu para a histórica Marcha do Sal. Hoje em dia o ashram é um lindo museu, aberto para visitas. Um lugar de paz e silêncio que nos faz refletir e admirar a complexidade deste maravilhoso país.

Lá, comprei um pequeno livro de frases de Bapuji, o “pai”, como Gandhi também era chamado. A frase do dia é:

We should get our peace not from external enviroment, but from within us.” [Não devemos buscar a nossa paz no meio externo, mas sim dentro de nós]

Luís

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intervalo criativo

Estava pensando. Apesar de estar morando na Índia, todo trabalho que tenho feito por aqui é para o Brasil. E meu trabalho consiste em ler, rever, editar e, às vezes, traduzir. Sempre ligado ao texto, mas não a escrever, não diretamente.

Algo que ajudou na decisão de vir para cá foi a possibilidade de ter um tempo maior para ler, escrever, estudar, aprender uma dança diferente, talvez, saber como é viver num outro país, passar por uma experiência (radicalmente) nova. E o blogue seria a janela da “alma indiana”, desse tempo que passaríamos aqui.

Tristemente, acabamos escrevendo bem menos do que gostaríamos, afinal, na Índia não é diferente: a gente acaba se absorvendo no trabalho e nas coisas do dia-a-dia e sobra pouco ou nenhum tempo para as coisas lúdicas, reflexões, pausa para o pensamento assentar, assimilar tanta coisa nova.

Aqui sempre há um pouco de raiva, um bocado de risadas, bons amigos, pessoas novas, dificuldades e situações maravilhosas. O amor à Índia não é um amor fácil. Há uma relação de conflito, por vezes bem dolorosa, com ela, mas quando algo de bom acontece, é muito bom, e parece valer mais a pena do que qualquer coisa. Paciência e bom humor são imprescindíveis para gostar de se viver aqui – pois se vive no limite de estourar à cada momento, cada contato complicado.

É preciso entender que o tempo aqui é outro, a lógica, bem outra, o pensamento funciona de um jeito diferente. E não se irritar com isso e querer que eles tenham o espírito igual ao que conhecemos, e no qual sempre nos entendemos. Num dia em que se acorda meio “atravessado”, você se pega conjurando todos os deuses para que façam alguma coisa, tirem você daqui correndo, apaguem a luz e fechem a porta. Bem fechada.

Mas então você respira, pára, se acalma e lembra que está aqui para aprender, para entender o diverso (muito diverso). Se eu quisesse tudo igual, não saía de casa, ficava na vida paulistana de sempre. A beleza de viajar – e sempre gostamos de viajar, Luís e eu –, é sair do lugar que conhecemos tão bem, olhar o que existe em torno, fora do nosso canto confortável – para depois voltar gostando mais da nossa terra, pelas coisas boas e ruins. Aqui, tem horas em que a gente se sente fora do mundo, fora do tempo – a ideia, a geografia, a distância são tão insólitas que causam um pouco de vertigem.

A Índia ensina muito a amar o Brasil e sentir falta daquilo tudo. E faz valer a pena passar esse tempo afastado, para depois voltar querendo tudo o que ficou lá, esperando por nós.

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e choveu

Ontem, pela primeira vez, vi a verdadeira chuva de monções em Gurgaon. Choveu, choveu e choveu. O céu ficou plúmbeo às 3 horas da tarde, uma umidade tremenda e depois muita água, muita água mesmo. Fiquei admirada vendo o dilúvio pela janela.

Saímos de carro e vimos o caos em que se transforma a cidade. Formam-se verdadeiras lagoas nas ruas, o trânsito pára (o de São Paulo é fichinha perto disso aqui), os carros ficam ilhados, assim como um pequeno burrico que vimos, “preso” na calçada porque não conseguia atravessar a grande poça que se formou em volta dele.

Ela vem como uma bênção, a chuva. Num clima tão seco, passei o último mês olhando todos os dias a previsão do tempo para ver se tinha esperança das monções enfim chegarem (esse ano estão bastante atrasadas, o que gera um monte de problemas para o país). Mas parece que agora elas vieram para ficar!

Adeus poeira, viva a lama. Benditas sejam as monções.

poucos tinhas guarda-chuvas ontem

poucos tinham guarda-chuvas ontem

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kulfi

picoles protegidos do calor

picolés protegidos do calor

2 litros de leite + 10 sementes de cardamomo + 15 gramas de amêndoas + 15 gramas de pistaches + 6 colheres de sopa de açúcar.

Esta é a versão  indiana para um clássico sorvete de doce de leite! Uma das minhas sobremesas preferidas na culinária local.

Este sábado, pela manhã, ao sair do centro ayurvédico Kerala aqui em Gurgaon, após uma sessão de massagem, encontrei um vendedor ambulante de kulfi. No carrinho tinham três tamanhos, de 5, 10 e 15 rúpias, e os palitinhos do sorvete eram feitos de bambu.  Mas o que realmente impressionou foi a linda pintura de Shiva abençoando aqueles que se refrescavam com a doçura do picolé!

calmo vendedor passa pelas ruas vazias de gurgaon tocando o sino em busca de um bom fregues

calmo vendedor passa pelas ruas vazias de gurgaon, tocando o sino em busca de um bom freguês

Mesmo com a proteção de Shiva, optei por seguir meu caminho para casa em segurança, sem o sabor do kulfi na boca!

(fotos e texto por Luís)

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shiva no cinema

Assistimos ontem a um filme da diretora indiana Mira Nair, que no Brasil ganhou o título de Casamento à indiana [Monsoon Wedding, 2001]. Eu havia visto o filme há muitos anos no cinema em São Paulo, quando nem sonhava em conhecer a Índia. Me lembro que na primeira vez tudo parecia meio esquisito naquela trama, sobretudo o fato do casamento ser arranjado pelos pais dos noivos. Isso continua sendo incompreensível para nós, claro, mas digamos que não é mais um choque. Luis conta sobre o colega do trabalho, mais ou menos da nossa idade, ter por fim arrumado uma noiva – ou melhor, depois de quatro moças que foram apresentadas pelos pais, ele finalmente escolheu aquela que seria a futura esposa. “Mas a moça podia recusar, se não tivesse gostado dele!”, me conta o Luis, mostrando que a mulher também tem alguma voz durante o arranjo do matrimônio. Não que isso vá mudar alguma coisa, mas enfim… A conclusão é que o feliz casal (e as duas felizes famílias) irá se casar em dezembro, e para eles está tudo certo.

Nossa amiga Mari, que passou uma intensa temporada de cinco meses aqui na Índia, fez um belo relato do assunto em seu blogue. Aprendam mais sobre os casamentos indianos neste link.

Mas voltando ao filme, não é preciso dizer que a percecpão dele foi bem distinta dessa vez. A história se passa em Delhi, bem na época das monções – da qual nos aproximamos agora –, e pudemos reconhecer vários lugares da cidade que já se tornaram familiares para nós. Entre eles, qual não foi a surpresa quando apareceu a imagem do Shiva que vemos sempre que passamos pela já citada NH8 (o tal Shiva em Gurgaon autêntico). A filmagem foi como a nossa visão costumeira, pela janela do carro. Ironias da vida, sempre a rir de nós (isso parece acontecer com maior frequência nessa nossa passagem pela Índia).

Bom, fica a recomendação do filme, fácil de encontrar em DVD por esses lados.

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