tudo, o tempo todo, em todos os lugares

por Marina Rheingantz

Voltei da India já faz quase dois meses, e o assunto continua fresquinho.

Cada dia encontro alguém que já foi, ou que conhece alguém que já foi, enfim, me parece que todos têm alguma ligação com este país, tão distante, mas tão próximo.

Enfim, cheguei, chegada, mas quando o assunto é índia, parece que dá um embaralhamento na cabeça. São tantas histórias, tantas lembranças, tantos cheiros, tanta gente e tanta buzina!

Chegamos em Nova Delhi na madrugada de uma quinta-feira, do mês de dezembro. No aeroporto, Indira Gandi, nos esperava nosso querido Luis, já um tanto mudado, mais magro e barbudo. A ida até a casa foi nossa primeira aventura indiana. O Luis guiando, pela primeira vez, e lá a mão é inglesa, e o trânsito… uma grande surpresa!

Chegamos sãos e salvos! O desejo era dormir e dormir, mas no dia seguinte, logo cedo, haveria um PUJA, cerimônia de celebração muito comum na Índia, em comemoração a mudança de escritório da Louis Dreyfus em território indiano! Conhecemos todos os integrantes do escritório, e a celebração foi algo, acho, indescritível. Muito dificil contar, tem que viver uma, para entender!

O primeiro fim de semana ficamos em Gurgaon. A primeira vez que fomos a Delhi,  vi um elefante no caminho, nossa. Foi uma alegria. Logo em seguida, passamos pela esquina dos macacos, e, bom, vaca em todas as esquinas…

Burrinhos, nas ruas de Gurgaon

Burrinhos, nas ruas de Gurgaon

Nossa primeira viagem, de fato

Fomos para Kesroli, de carro, com o Luis guiando, novamente!

Kesroli é uma vila, que fica a cerca de 120 km de Delhi. Demoramos por volta de 5 horas para chegar ao nosso tão esperado destino! Mas o caminho até lá foi repleto. A estrada tem uma média de uns 50 km/h, dividimos a estrado com carroças de camelos, com tratores, muitas motocicletas que carregam uma familia, sem capacetes, e riquixás, com gente saindo pelo escapamento!

Lá, saímos de bicicleta pela região. Fomos numa das melhores épocas, segundo o Luis, porque é quando a canola está bem amarelinha. Estava linda. O passeio de bicicleta foi outra aventura. As crianças vinham atrás de nós, pegavam em nossas bicicletas, e não queriam deixar que continuássemos.

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A primeira viagem de avião. Destino: Varanasi

Chegamos ao aeroporto bem antes do voo. Lá descobrimos que teríamos de esperar. O voo estava atrasado. Nossa, o Luis ficou uma fera, porque o cara que trabalha para a Kingfisher (grande companhia indiana) não queria nos dar uma previsão. Bom, conseguimos embarcar, e chegar em Varanasi, algumas horas depois!

Varanasi foi uma experiência fora do tempo! 

banho sagrado em Varanasi

banho sagrado em Varanasi

A primeira viagem de trem. Destino: Nova Delhi

E que viagem! Chegamos, como de costume, um tanto antes na estação de Varanasi, porque lá é bastante complicado se localizar nas estações, não tem muito letreiro, e quando tem, são desatualizados, uma zona! O trem atrasou…

A viagem foi maravilhosa, deu para ver um pouco da paisagem, mas logo escureceu, e só chegamos em Delhi ao amanhecer.

Na chegada de cada viagem, ficávamos um dia em casa, processando o que vimos, lavando as roupas e comendo comidas sem pimenta!

Fizemos outras viagens. Fomos a Jaipur e Pushkar, Rishikesh e o Nepal.

A viagem de volta de Rishikesh para Delhi foi o máximo! Estávamos num hotel lindo, na beira do Rio Ganges, onde ele ainda é bem limpo e onde tomamos um banho de rio, que limpou tudo! Porém, a situação era a seguinte: fomos de trem até Haridwar, estação mais próxima do destino, de lá, com um carro, seguimos até o hotel. Na ida, demoramos 3 horas, assim, na volta, pensando no horário do trem, saímos 3 horas e meia antes… e qual foi nossa surpresa… a estrada estava desobstruída na volta, o que nos custou somente uma hora até a estação. Chegando lá, cruzamos com uma manifestação, ou uma festa, mais me parecia uma festa, com músicas, muita gente, e um colorido que pega na alma! Foi hipnotizante!

Antes de entrar na estação, resolvemos fumar um cigarrinho, do lado de fora, que não durou muito, porque logo começaram a se aproximar de nós, e resolvemos não criar confusão ali… discretamente, fomos para dentro. Na Índia, tem uma coisa um tanto estranha, as estações de trem têm umas salinhas, com sofas, só para os estrangeiros. É dificil demais ser turista na Índia, é estranho. Não dá de jeito nenhum para esquecer que você é de outro lugar, em nunhum momento! Eu me senti como uma colagem lá. A gente é muito ocidental. Lá é mais visível, porque é tão diferente. Estou aqui me perguntando se é possivel imaginar tudo isso. Acho que para entender mesmo este país, tem que ir para lá, viver no meio dos indianos, porque é algo de outra ordem.

Voltando à estação de Haridwar…

Já chegando a hora de nossa partida, começamos a nos direcionar para nossa plataforma. Mas o trem não chegava. Aí ficamos preocupados, puxa, será que estamos na plataforma certa… bom, fui lá, numa saleta, perguntar. Entrei numa sala cheia de homens, nossa, foi difícil de entrar ali. Mas cruzei a barreira de olhares e entrei. E qual foi a constatação: o trem estava atrasado! 1 hora e meia, algo assim!

Ah, tá bom! Vamos passear mais um pouquinho pela estação. Acho que conhecemos cada canto dali.

E presenciamos um ataque de macacos. Primeiro, eles começaram a gritar entre eles, estavam muito agitados, correndo de um lado para o outro, dentro da estação. Quando, de repente, um deles pega um suquinho, daqueles de caixinha, de uma tendinha, e toma o suco! De repente, vem outro, e rouba uma sacola azul de uma senhora indiana! Aí os indianos se pronunciaram, começaram a gritar com os macacos. Então, o macaco desceu e atacou a senhora. Parece que foi um sonho!

 

macacos planejam o ataqui no teto da estação

macacos planejam o ataque no teto da estação

 

Saímos todos ilesos…

E algumas horas depois, nosso trem chegou, e voltamos para casa.

A casa de Luis e Julia é um grande porto-seguro na India. Um oásis. Silencioso, limpinho, com comida gostosa, muito espaço e pouca gente!

 

A ida para Rishikesh

A ida para Rishikesh

O Ganges limpinho, onde tomamos banho!

O Ganges limpinho, onde tomamos banho!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Preparando o fumo para mascar (paan) na rua de Varanasi

Preparando o fumo para mascar (paan) na rua de Varanasi

Um dia fantástico em Old Delhi

Um dia fantástico em Old Delhi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na Índia o pimenteiro é que tem dois furos!

Na Índia o pimenteiro é que tem dois furos!

A pintora Marina Rheingantz estreia o espaço dos visitantes do Shiva em Gurgaon. Marina esteve na Índia nos meses de dezembro, 2008, e janeiro de 2009.

Em breve teremos relatos dos outros visitantes que passaram uma temporada indiana conosco.

5 Comentários

Arquivado em viajantes

5 Respostas para “tudo, o tempo todo, em todos os lugares

  1. Julia e Luis, excelente idéia essa dos relatos dos viajantes. Até me empolguei para terminar alguns relatos da minha passagem pela Índia. Em breve enviarei para análise de vocês.
    Abs,

  2. Cornelia

    Marina, não só uma pintora talentosa, também uma ótima fotógrafa.

  3. erica

    o engraçado é que a vontade de conhecer tamanha cultura só aumenta ! boas fotos ju ! beijos

  4. Fotos e relatos ótimos…

  5. Rita V.

    estive na India pela 1ª vez o mês passado e consigo reviver pelas tuas palavras tantas emoções que vivi. É tudo tão diferente que queremos abarcar toda a cor num olhar, todo o cheiro numa inspiração…vou voltar lá de certeza!
    entretanto…vou-me satisfazendo com as fotos e relatos de quem sentiu o mesmo.
    Obrigada de Portugal

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