o caminho do rajastão

Há pouco mais de uma semana recebemos a visita do Nelson, pai do Luís, que fez uma passagem relâmpago por aqui. Aproveitamos um dia para fazer uma rápida viagem de carro até a vila de Kesroli, no Rajastão, que fica a cento e poucos quilômetros de Gurgaon e tem um simpático hotel, instalado num antigo forte do século XIV.

 

fileira de camelos

fileira de camelos

O forte-hotel é um lugar delicioso, mas o mais forte dessa pequena viagem foi o caminho da vinda. Saímos de casa por volta das oito, numa estrada cheia, como sempre são as estradas daqui. Na saída, cidades menores, mas ainda muito urbanas, foram margeando nosso percurso. A paisagem torna-se mais desérticas conforme entramos no outro estado. Logo surgem os primeiros camelos, puxando as carroças baixas. Depois, uma frota desses camelos. E ainda, um curral cheio deles e de pequenas ovelhas. Paramos o carro para tirar algumas fotos de perto. Luis e Nelson se aproximaram do portão, onde um menino empoleirado na coluna observava os passantes. Ele usava um pano branco na cabeça, enrolado em forma de turbante.

Logo vieram os homens mais velhos, prováveis donos do rebanho, e começaram a falar muito, numa língua que para nós todos era desconhecida. Tentamos o inglês, mas nem sinal de entendimento. Eles trouxeram outras duas crianças, uma menina e um menino, cobertos pela poeira, e ficavam o tempo todo apontando para os pequenos e em seguida para o nosso carro. E com as mão faziam o sinal de dinheiro, esfregando o polegar no indicador. Nelson tirou seu porta-moedas do bolso para dar algum às crianças e nisso o homem mais velho de todos – portando um vasto bigode e seu turbante – enfiou a mão na bolsinha e queria levar tudo embora. Nelson resistiu e conseguiu arrancar das mãos dele.

Assustados, Luis e Nelson entraram no carro (de onde eu não saí) e decidimos que era hora de partir. O homem ainda segurou a porta do passageiro e tentou forçar alguma coisa que não entendemos bem o que era. As crianças trazidas não paravam de sorrir e o tempo todo diziam algo para nós, balançando a cabeça, que era entre um pedido de socorro e um certo medo de que nós de fato entendêssemos o que eles queriam.

Um pouco antes dessa cena, na mesma estrada, um menino de cinco anos, no máximo, saiu correndo absolutmante desesparado quando diminuímos a velocidade do carro para tentar cumprimentá-lo. Nós ficamos perplexos com a reação, ele largou a mochila e tudo e saiu em disparada. Mas a cena descrita acima nos deixou algumas pistas da situação dessas crianças do caminho.

Vi agora no site da BBC essa notícia sobre crianças desaparecidas em Delhi.

4 Comentários

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4 Respostas para “o caminho do rajastão

  1. lu

    Juuu,

    ai que bom que vocês voltaram!

    beijinhos
    lu

  2. guilherme

    Saudades do casal,
    Beijos

    Gui

  3. ana lima

    juju, que história! vejo que, aos poucos, você vai se inteirando do cotidiano indiano, para o bem ou para o mal. ainda bem que está em boa companhia… se cuida e um beijo, ana

  4. Pingback: terra de pelados « shiva em gurgaon

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